CARTAS e HISTÓRIAS

 EMPREENDEDORISMO SOCIAL -  Ivani F. Neves - FEVEREIRO 2021

Queridos mucappianos

No início de fevereiro fiz uma palestra e recebi a seguinte mensagem da Enactus Puc São Paulo, organizadora do evento: “Dona Ivani, fundadora e presidente da ONG, nos deu uma verdadeira aula sobre humanidade, dignidade, motivação e, principalmente, empreendedorismo social! Uma pessoa com coração gigantesco e com uma história fantástica que inspirou a cada um dos integrantes do TIME, fortalecendo ainda mais a “chama” da solidariedade dentro de cada um de nós”.

Sintam-se, todos vocês, mais do que merecedores dessas palavras tão carinhosas. Segue o artigo sobre esse encontro, publicado neste domingo, na Gazeta de Piracicaba.

  Empreendedorismo Social

Devido à minha experiência à frente da Mucapp, fui convidada por alunos da PUC – São Paulo para um bate-papo sobre empreendedorismo social, tema que me encanta, porque enxergo no empreender uma saída para atenuar as gritantes diferenças que existem em nossa sociedade. Eles participam da Enactus, uma organização internacional que visa inspirar estudantes a melhorar o mundo através da ação empreendedora. Frequentam diferentes cursos e querem trabalhar especificamente com a evasão escolar e a educação de alunos entre 12 a 14 anos, uma “necessidade” mais do que necessária. Seu campo de atuação é a Favela do Moinho, localizada próximo à Universidade. Já que uma das formas de ascensão social é pela educação, acertaram na mosca!

No evento, contei que meu primeiro empreendimento social foi em uma comunidade na Vila Sônia, periferia de Piracicaba. Nas reuniões semanais, com um grupo de treze idosas, papeávamos e jogávamos bingo, cujas prendas eram alimentos perecíveis e cada uma delas levava para casa de quatro a cinco porções. As reuniões eram às quintas-feiras, dia da feira em frente de minha casa. A “xepa”, resto de frutas, legumes e verduras, era generosamente doada pelos feirantes. Eles próprios lotavam meu Corsinha com seus produtos, que eram igualmente distribuídos nas sacolas que elas traziam. O cafezinho, feito pela Dona Filomena, era acompanhado das bolachas conseguidas da Fábrica Júpiter, que vinham quebradas, mas eram do mesmo jeito saborosas. O objetivo era promover lazer, introduzir hábitos alimentares saudáveis e fazê-las se sentirem úteis por participar e melhorar a renda de suas famílias. Mas, sobretudo, fizemos treze velhinhas muito felizes, em sua única forma de diversão por treze anos. Sempre me confidenciavam que ficavam ansiosas esperando pelo “programa” de quinta-feira, cujo bate-papo começava bem antes de minha chegada. Foi muito doloroso ter que me despedir delas.

Também narrei a história de nossa ONG, que tomou corpo quando de mim se apoderou a “Síndrome do Ninho Vazio”. Com os filhos morando fora, tive mais tempo para idealizar e concretizar o sonho Mucapp – Associação Pró Mutirão da Casa Popular de Piracicaba, que hoje, 28 anos depois, já transformou a vida de mais de 500 famílias. Meu sonho era mudar estruturas e sempre argumentava sobre a essencialidade de todo ser humano ter uma casa para voltar depois de um dia de trabalho.

Contei histórias e mais histórias de sucesso e, à medida que me lembrava de uma, minha mente tropeçava em outras e mais outras que marcaram minha vida, sendo que algumas delas até hoje povoam meu cotidiano. A da Zefinha, que acordava à noite para afagar a maçaneta da porta, mal acreditando que estava morando em uma casa; a da Vanessa, que cresceu tanto que hoje tem três pequenas lojas de materiais de construção; Seu Barbosa, que acorda de madrugada quando sabe que a Maria Olinda vai passar; Aliana, que se empoderou e hoje é Presidente da Associação do Bairro. E falei de tanta gente mais que galgou degraus na escada social. Enquanto eu falava, meu entusiasmo ia contagiando os jovenzinhos idealistas, que interrompiam para querer saber um pouco mais do muito mais que eu tinha para contar.

Por fim, enfatizei que qualquer pessoa pode e deve ser um empreendedor social. À medida que realizamos pequenas ações, cujos beneficiados são pessoas necessitadas, estamos contribuindo com a sociedade. Abri meu coração e acredito ter flechado o coração deles também. Fiquei muito emocionada quando um dos jovens disse que seu avô sempre fora o seu inspirador, mas que agora eu o havia inspirado tanto quanto ele. E prosseguiu: “agora tenho dois inspiradores”. Ele me deixou “babando” de orgulho, por mim, pela maravilhosa equipe que comanda a Mucapp e por tantos associados que nos ajudam.

Foi muito benfazejo, dentro da temática pedida, encaixar toda a minha vasta experiência em trabalho social, pois eu própria tomei conhecimento de que, através de seus competentes e dedicados voluntários e de toda a burocracia exigida para o funcionamento de uma ONG, a Mucapp exerce o empreendedorismo social, que, apesar desse nome pomposo, nada mais é do que seguir o que Cristo nos ensina, a prática da caridade aos próximos de todos nós.

Ivani Olívia Fava Neves – Presidente da Mucapp – ivanifava@gmail.com

 Escolas de tempo integral e cívico-militar- Ivani F. Neves JAN.2021

Hoje, 25 jan 21,  escutei na Band News que a educação é um dos pilares da sociedade. Em minhas andanças por Piracicaba, noto que a criançada dá muito trabalho e tem sérios problemas sociais. Cá com meus botões, penso que este pilar está literalmente ruindo, e começou bem antes da pandemia.

Estudei para “professora” e sou do tempo em que um “não” era “não” e ai de quem se atrevesse a discutir ou contestar. E minha geração não ficou prejudicada no quesito de criatividade. Hoje falta disciplina para esta molecada, principalmente para os adolescentes que enfrentam e amedrontam até os mais competentes e dedicados professores, quando tentam lhes impor freios e limites necessários. Ainda há professores que conseguem desempenhar seu trabalho com rígida disciplina, mas infelizmente são a minoria. Os pais muitas vezes dão razão aos filhos, dando-lhes trela para problemas que poderiam ser resolvidos na sala de aula e, assim, tiram a autoridade do professor. Alguns pais até o criticam na frente do filho. Parece que esse excesso de liberdade também não deu certo.

Lembro com carinho e até saudade dos “velhos” mestres que tanto influenciaram e apoiaram minhas escolhas. Havia bastante simbiose entre família e escola. Ir para a diretoria era um horror. Hoje há projetos de abertura das escolas aos finais de semana para a prática de atividades físicas e culturais, almejando ser um laço para que professores, pais e alunos se conheçam um pouco mais. Mas há muito pouca adesão. Temos também as Associações de Pais e Mestres, uma forma de participação da comunidade na administração escolar. Mesmo assim, há quase nenhuma conexão entre a escola e a família. Está muito difícil conseguir que interajam de forma positiva.

Acho a escola de tempo integral, já usada por países que têm ótimos índices de educação, uma iniciativa de tirar o chapéu. Além de melhorar o rendimento dos alunos, que têm as tarefas orientadas por profissionais, também possibilita aos pais que trabalhem com mais tranquilidade, afasta a criança da rua, entre centenas de outras vantagens. Em Piracicaba somos bastante abençoados, pois 12 escolas foram inseridas no Programa de Ensino Integral (PEI), e já se planeja outras adesões. Não há dúvida: mais tempo na escola, mais condição de aprendizado.

Embora sinta um “cheirinho” de resistência aí, vejo também, com bastante alívio, que o Governador Dória está estudando aderir ao programa Escola Cívico-Militar do Presidente Bolsonaro, uma iniciativa do Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Defesa. Neste modelo, há um compartilhamento da gestão nas áreas educacional, didático-pedagógica e administrativa, com a participação do corpo docente da escola e apoio dos militares. As escolas selecionadas seriam as com alunos em situação de vulnerabilidade social e baixo rendimento escolar. Para os adolescentes que quase estão, ou já estão, na criminalidade seria uma oportunidade muitíssimo melhor do que os reformatórios.

O Enem deste domingo abordou reflexões sobre saúde mental. Tema bem atual, pois o número de jovens com problemas emocionais tem crescido assustadoramente nos últimos anos. A educação nos moldes atuais está deixando muito a desejar. Os dois pontos fundamentais aqui abordados têm como finalidade dar maior competitividade para os alunos que ficam mais tempo na escola e dar mais disciplina para os jovens que já beiram à marginalidade.

Sou apenas uma normalista, com bastante vivência e experiência nas comunidades de periferia. Modestamente, acho que, se a educação é um dos pilares da sociedade, já passou da hora de colocar escoras para que tudo não desmorone.

Ivani Olívia Fava Neves – Presidente da Mucapp – ivanifava@gmail.com

Pé no chão e pé no breque na eleição! - Ivani F. Neves out.2020


É na eleição que se decide o futuro de uma nação. É a oportunidade legal que temos de pôr lá em cima as 
pessoas que vão tomar conta de tudo o que todos têm direito. Deste modo, nosso voto e o acompanhamento 
da performance daqueles que elegemos é que vão conduzir o destino de nosso município, estado ou país por 
4 anos. Segundo nossa consciência, devemos votar primordialmente almejando o bem comum e nunca 
interesses pessoais ou sobrevivência política. Há que se analisar a conduta moral dos candidatos e suas 
propostas e, no final do mandato, o cumprimento delas. Nossos “valores”, aquilo que é nosso íntimo, talvez 
não sejam o que a comunidade precisa. Por este motivo, é nosso dever “ligar as antenas” para certas 
flexibilizações que tiram o foco de necessidades urgentes e reais em prol de todos. 
Vejo com ótimos olhosiniciativas que visam educação, saneamento básico e outras essencialidades das quais 
os menos assistidos tanto carecem. Por outro lado, sei que os mandatários não ganham votos por obras que 
ficam enterradas, como redes de água e esgoto, por exemplo. Mas o excesso de criatividade nas promessas
e propostas dos candidatos chega a ser risível. Há até os que defendem o muro de vidro da raia olímpica da 
Universidade de São Paulo, alegando que a avenida ficou “inédita e original”. Cá pra nós, apesar de executado 
por empresas privadas, eu optaria por materiais mais resistentes e duráveis, dados os altíssimos custos de 
manutenção assumidos pela prefeitura, com gasto anual em torno de 1,5 milhão. Custos que vão ficar de 
herança para o próximo prefeito. Um faz a “caca” e os outros pagam a conta. O dinheiro público merece ser 
bem aproveitado.
Meu gosto pela construção civil vem do convívio com meu pai, um político nato, empreendedor visionário 
que ocupou cargo de vereança em Getulina, no saudoso tempo em que vereador não tinha este “tantão” de 
assessores e nem eram remunerados. Fazia-se política pelo gosto de se fazer política. Lembro do orgulho 
imenso que sentimos quando ele conseguiu levar a luz elétrica para Getulina. Comemoramos como se fosse
uma conquista pessoal. Quando viu que o prefeito de Lins, que ele ajudara a eleger com seu carisma
construído a custo de trabalho duro, não estava dando conta, vestiu a camisa e assumiu, voluntariamente, o 
cargo de “mestre de obras”. Construiu várias pontes, reparou calçadas, etc. e tal. Muitas vezes o acompanhei 
nas visitas, para que me mostrasse “suas” conquistas. Cada obra terminada era como um filho que paria.
Em tempos de pandemia, para que votemos com segurança montou-se uma verdadeira “operação de 
guerra”, a fim de levar itens de proteção às seções eleitorais, todos doados e transportados em 140 carretas 
e 5 aviões. Cerca de 1,6 milhão de mesários deve trabalhar no primeiro turno das eleições 2020 e todos os 
recursos para a preservação da vida desses mesários e do cidadão foram utilizados, além de rígido protocolo 
que será observado no dia da votação. Segundo levantamento do Fórum Econômico Mundial, o desemprego 
e a falta de governabilidade são, hoje, graves ameaças ao Brasil. Portanto, o nosso voto exige
comprometimento, consciência e responsabilidade.
Outra grande preocupação nestas eleições é o cuidado com as fake news, que vão correr soltas pelos 
caminhos digitais. De olho nelas, pois podemos passar para a frente informações improcedentes. Podemos 
prejudicar bons candidatos e favorecer corruptos e despreparados.
Muitos dos candidatos já têm sua história de sucesso e fracasso contada por mandatos anteriores. Se não 
gostamos do que foi feito, está na hora de repararmos, eliminando essa horda de corruptos e incompetentes 
que contaminam a nossa nação, amplamente apontados pela imprensa e pelos portais de transparência.
Eu sempre procuro candidato que tem os pés no chão, não seja ladrão e trabalhe com a consciência e com o 
coração.

Presentes valiosos, irrecusáveis... nem sempre necessários! - Ivani F. Neves junho 2020

Fico toda arrepiada quando vejo ou escuto pessoas comentando que despejaram a carroceria de sua Hilux, cheia de roupas e outras necessidades, em uma casa de 40 metros quadrados.
O volume das coisas dadas vai encher um dos cômodos da exígua moradia, com área total equivalente a quatro ou cinco carrocerias. Serão empilhadas sobre as camas e transladadas conforme a necessidade dos familiares, que vão se espremer ainda mais para caber no meio de tantos presentes valiosos e irrecusáveis, e nem sempre necessários.
Nesta quarentena, muita gente aproveitou o tempo ocioso para fazer grandes faxinas e despejar sua generosidade aleatoriamente. Sugiro aqui que tenham bastante discernimento, aproveitando os canais existentes para que suas doações sejam encaminhadas para os locais adequados e consequentemente sejam mais bem aproveitadas. As doações em espécie também devem ser bem avaliadas, para que atinjam o público esperado.
Se você quer uma dica sutil, aqui vai: os trajes que mais usam são camisetas, blusinhas, shorts, bermudas, tênis, sandálias e chinelos. No inverno, agasalhos. “Forante” isto você vai apenas entulhar as casas com roupas que serão guardadas, porém em armários que são fruto apenas do seu imaginário. Se você quer outra dica, há centenas de brechós beneficentes nos quais suas doações serão muito melhor utilizadas, atendendo a diversas famílias. As peças são vendidas para quem precisa por preços acessíveis e as rendas engrossam a receita de diferentes entidades. Alguns brechós, inclusive, são procurados por classes sociais mais elevadas, o que pode render um lucro maior. Terceira dica: o pior sofrimento desta crise toda parece ter ficado para as pessoas que não estão incluídas nos grupos suscetíveis de atendimento, sobreviventes de míseras aposentadorias. Merecem a nossa preocupação.
Há 27 anos, embarquei nesta missão de fazer casas para pessoas extremamente carentes, tendo abrigado até o momento mais de quinhentas famílias, pois acredito piamente que casa é fundamental! É fundamental para substituir as moradias precárias. É fundamental para abrigar uma família e também para abrigar os seus pertences.
“Ivani, você perdeu seus associados contribuintes nesta pandemia?” Ouço muito esta pergunta. Mas, pelas razões acima preconizadas, pelos relatórios minuciosos, pelas fotos do antes e depois das famílias atendidas, pelas consequentes e evidentes melhorias sociais e econômicas decorrentes do “ter” casa digna, acredito que as pessoas que contribuem com nossa ONG devem se sentir recompensados por saber que nossos beneficiados podem enfrentar melhor este vírus avassalador.
Sempre puxando o peixe para minha rede, advogo a favor da causa à qual a Mucapp, com sua incansável equipe de voluntários, há tantos anos se dedica: CASA É FUNDAMENTAL, simplesmente porque todo ser humano, depois de um dia de trabalho, de estudo ou até mesmo de lazer, deve ter um lugar para voltar.
“Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que são generosas”; “Para mim, a chuva no telhado é cantiga de ninar. Mas o pobre meu irmão, para ele a chuva fria vai entrando em seu barraco e faz lama pelo chão”. Estes singelos versos de músicas cantadas por minha professora de Serviço Social em Lins, carinhosamente chamada de Irmã Dorinha, ilustram magnificamente a grandeza dos aspectos acima abordados.
Outra dica: entre no Google para se embalar com as mensagens destas duas lindas canções. Elas irão de encontro aos anseios de seu coração.

É o que temos para hoje - Ivani f. Neves - Abril 2020 

Quando perco o sono de madrugada, programo a televisão por um tempinho, para que eu possa pegar no sono embalada por alguma notícia. Ontem, passei por todos os noticiários nos diversos canais que gosto de ver, mas só encontrei desalento e tragédias. Sei que o momento é ISSO, e é definitivamente o que temos para hoje, mas será que não há nada de melhor acontecendo no mundo todo?

Nas manchetes da Gazeta, vejo notícias tristes, mas a maioria delas acrescenta algo para que não nos afundemos no meio desta balbúrdia que tomou conta do planeta. Nas do outro jornal que eu assino, há duas notícias relativamente boas em meio às vinte ruins que estão estampadas na capa.

Peço desculpas para os que não vestem a carapuça, mas jornalistas e analistas da mídia escrita ou falada parecem abutres em cima da carniça. Não pouparam o Bruno Covas nem quando foi internado, fazendo chamadas intermitentes, como um troféu recém-ganhado que precisava ser exibido. Quando ele entrou no hospital, viu sua vida escancarada. O pobre Ministro Nelson Teich não é nenhuma Marta Rocha, mas sua imagem serviu de estímulo criativo para muitos cartunistas. O que me açoita e desespera é pensar que no meio de tanta tragédia o brasileiro consegue se alimentar da carniça, com tanta carne melhor para se nutrir. O drama das vítimas da Covid 19 é escancarado com tanta devassidão que a dor das famílias fica banalizada. As fake news se espalham como tiririca na grama. Apesar de saber que estamos no mesmo barco, jogam água dentro dele, para que afunde, sem pensar que afundaremos juntos.

Não bastava a crise sanitária. Deram corda para que toda sorte de crises grassassem simultaneamente, deixando emergir toda a sujeirada que sempre esteve debaixo de nossos tapetes e que deveriam ficar ali mais um pouquinho, até que o corona e suas consequências inexoráveis fossem embora. Definitivamente, parece que as pessoas querem ver sangue. Divulgar notícias que podem criar risco à estabilidade econômica e democrática é uma temeridade. A liberdade de expressão não significa que se pode dizer o que quiser e onde quiser. A filosofa Carolin Emcke diz que a mídia é ingênua ao dar espaço excessivo a propagadores de ódio, pois isto não traz nenhum ganho civilizatório.

Sei que muita gente sentiu a toxicidade da mídia e encontrou a vingança cancelando assinaturas de jornais e evitando alguns canais de televisão. Passei um tempão detestando o Bial, porque ele apresentava o Big Brother. Valha-me Deus, você acha que quem assiste a este tipo de programa, que tem uma audiência fenomenal, tem alguma coisa de concreto na cabeça? Se a audiência explode, dá-lhes programas deste e de outros níveis piores, com direito a pacotes para ver a competição 24 horas por dia. Não é infinitamente mais legal assistir a inteligentes e bem humoradas entrevistas do mesmo Pedro Bial? 

Apesar da pandemia que nos afeta de todas as formas possíveis, desde as madrugadas insones até o dormir desalentado, temos ainda que receber todos os tipos de chicotadas dos fazedores de notícias. Pisam e repisam nas mesmices de personalidades que usaram máscaras de maneira errada, que falaram palavrões em ambientes impróprios, que são feios, que são desonestos, que fazem o que fazem porque têm aspirações políticas, que a bolsa despenca e que o dólar sobe, que uns doam enquanto outros roubam, etc. e tal.

Oi, como vai? Tudo bem?  Ivani Fava Neves- Presidente da Mucapp - 17 maio 2020

Ainda sob o impacto repentino da invasão do coronavírus, e recebendo muitas mensagens desejando Feliz Páscoa, resolvi enviar para a lista de transmissão da Mucapp, que deve conter mais de seiscentos nomes, a pergunta: Oi, como vai? Tudo bem?

Já mandei muitos Whatsapp para os mucappianos, mas nenhum deles teve repercussão tão impactante como este. O telefone pipocava, despejando ininterruptamente centenas de mensagens, às quais eu respondi, e também obtive inúmeras respostas das respostas. No começo me apavorei com o trabalho que “esta ideia de jerico” estaria gerando e também com aquele ”remorsinho” por ter feito uma pergunta geral, para pessoas em particular. Mas me organizei para responder e, apesar dos quatro dias que levei para terminar, cheguei à conclusão que o aconchego de um simples ”Oi, como vai? Tudo bem?” vale mais do que o cartão mais elaborado e que amizades precisam ser costuradas com linhas fortes e ininterruptas.

Fiquei realmente surpresa com a preocupação das pessoas comigo e com a confiança que depositam em mim, pois recebi todos os tipos de confidências, preocupações, segredinhos, desabafos e tantas “cositas” que adoçam a intimidade de uma conversa do cotidiano. Minha “Feliz Páscoa!” gerou maior IBOPE do que se eu tivesse mandado um coelhinho que sai do ovo e todas as surpreendentes criações que povoaram o Whatsapp!  Um estava com a perna quebrada; o outro teve que fechar a loja; a outra estava fazendo home office, toda feliz na paz do lar, aguardando a chegada do bebê.

Deu tanto IBOPE que no Dia das Mães repeti a dose do “Como vai você”? Novamente centenas de mensagens amainaram a solidão imposta pela Covid-19. Nunca senti e recebi tanto amor em toda a minha vida! Não conseguiria sobreviver a este dia especial se não fosse pela amizade compartilhada. Minha amiga Carmem Pilotto, sabiamente, disse: “realmente este hiato em que vivemos é bizarro, mas nossa fé e otimismo devem mover nossas embarcações, afinal tantos dependem de nós!” E continuou ela: “Feliz dia das mães, você que é uma grande mãe de tantos desafortunados que têm o destino modificado pelas suas orientações”. Uma mensagem como esta vale muito mais do que os milhares de emojis que as pessoas disparam adoidadamente, não acha?

Se a resposta for positiva, comece a usar a receita do “Oi, como vai você?” Os ingredientes são gratuitos e vão lhe asseverar que muita gente vai gostar de sua mensagem carinhosa. Tenha a certeza de que vai ressuscitar muitos amigos, que se sentirão estimulados a repassar suas receitas para tantos outros, numa corrente de amor muito mais forte e poderosa que mensagens vãs. Nestes tempos de pandemia, quando o medo nos assola e nem temos energia para reagir, sem a presença física de familiares e amigos, em vez de repassarmos centenas de mensagens, cujo teor nem sempre é verdadeiro, deveríamos ficar mais antenados à importância da palavra, do contato virtual personalizado, do aconchego, do socorro, do amor e da solidariedade. O segredo está em mais ouvir do que falar. Já percebeu que quando a gente conta uma desventura o interlocutor dispara uma sorte de dicas e soluções, quando na verdade apenas queremos falar para desabafar?

Mirian Goldenberg tão bem escreveu que os amigos são a maior riqueza em tempos de sofrimento físico e emocional. Ela tem um grupo de pessoas que se comunicam todos os dias. “São eles que me dão motivos para levantar da cama em tempos tão sombrios”, disse ela. A mídia está tão enlouquecida tentando saber se o exame do presidente positivou ou não, se o vídeo com a reunião de ministros vai ser exibido na íntegra ou apenas parcialmente, se o ministro atual é melhor do que o anterior, se a cloroquina funciona ou não, que nos desestimula até a ligar a televisão. Então, tente algo diferente. A hora é de mudanças e tenho certeza de que você vai se surpreender com o tanto de amigos que tem, se simplesmente lhes abrir seu coração e os escutar sem interromper. 

En passant, como vai você, tudo bem?

Vai ter lugar pra Homem nessa história- Ivani Fava Neves – Presidente da Mucapp - MAI 2019

Sempre me pergunto, no meio de tanta tecnologia e mundo virtual, se os grandes fazedores do progresso vão encontrar um lugar para o homem no futuro, embora já tenha certeza absoluta de que isto nem passa pela cabecinha de muitos deles.

Nos idos de minha adolescência, nos bancos do Colégio Nossa Auxiliadora de Lins, já martelavam insistentemente que a educação só funciona se abranger os aspectos integrais do desenvolvimento do ser humano: físico, intelectual, social, emocional, etc. e tal. Tudo isto ficou cimentado e definitivamente consolidado nos bancos da Faculdade de Serviço Social, onde aprendi que o ser humano precisa ter uma família para se aninhar, um teto para se abrigar um trabalho para prover seu sustento, uma religião, qualquer que seja para enfrentar os vieses da vida e outras necessidades básicas para se sentir feliz neste mundo onde nasceu.

Agora vejo o incrível progresso avassalador da tecnologia com admiração, mas com imensa preocupação.

Quando a mecanização chegou a Piracicaba e desempregou milhares de cortadores de cana que tinham vindo do nordeste e de outras partes do Brasil, vi que toda essa mão de obra ficou ao Deus dará. Nas “comunidades”, nome moderno que se dá às favelas que grassam em nossa periferia, a principal fonte de renda migrou do homem para a mulher, que passou a trabalhar em casas de família para trazer a comida para o sustento de todos. Trabalho há 25 anos em uma ONG que substitui moradias precárias por casas de alvenaria e afirmo, baseada em minhas andanças pela periferia de nossa cidade, que a situação está cada vez pior. Drogas, desemprego, violência e outros fatores têm limitado o ir e vir dos cidadãos que ocupam espaços mais elevados na pirâmide social.   

 Fica impossível resumir num texto curto como este, as infinitas consequências da modernidade na vida do homem, que paulatina e progressivamente tem sido colocado de escanteio, como se não fizesse parte desse universo criado pelo nosso bom Deus. Prá mim, o homem é o centro de tudo e quando não houver mais lugar para ele viver, os avanços tecnológicos não terão sentido.

Será que há possibilidade dos nossos cientistas entenderem que o progresso não se baseia apenas nos avanços da tecnologia? Onde colocarão essa horda de desempregados quando os homens forem substituídos por robôs, drones e pela inteligência artificial? Aqui entra o papel dos governantes, que têm a obrigação de acompanhar essa evolução inexorável, investindo pesado em políticas públicas de educação, que possibilitem a todos o acesso a escolas com recursos digitais, professores preparados e colégios técnicos de alta qualidade para atender as demandas existentes.

Os impactos do avanço desta tecnologia têm que ser urgentemente avaliados, para que haja espaço para que o homem comum não seja banido do nosso planeta, a não ser que nossos gênios já estejam planejando mandá-los para lua, para arrumarem empregos lá.

O Casamento da Princesa  Pauline - Ivani Fava Neves – Presidente da Mucapp - MAR 2019

 

Aos vinte e dois anos de idade, Pauline, já uma advogada, através de sua própria mãe adotiva, soube que foi adotada. Essa revelação se deu durante uma discussão entre ambas, no Dia das Mães. Então, no arquivo da igreja onde havia sido batizada, ela descobriu que sua mãe biológica, a quem sempre confiava os seus mais caros segredos, era a empregada doméstica de sua mãe adotiva. Acredita que seu pai biológico seja o patrão, já falecido.

Tudo isso me foi confidenciado por ela própria, em meio a muitas lágrimas e revolta, pelo fato de ter sido enganada por tantos anos e pela vergonha de ter que enfrentar a pequena cidade onde todos já deveriam conhecer seu segredo. Naquela época, ela já namorava o compreensivo rapaz que ontem se tornou seu marido.

Três anos após aquela nossa longa conversa, a linda e exuberante Pauline entrou na Igreja, ao som da Marcha Nupcial, enfrentando com coragem a sociedade de sua pequena cidade, que a acolhia com emoção e compreensão. Fui ao casamento para compartilhar de sua felicidade e juntar os elementos para terminar esta história, que já estava escrita há alguns anos, enquanto eu ouvia seus lamentos e secava suas lágrimas.

Na imensa igreja reinavam o silêncio, o respeito e muita emoção. Durante a cerimônia, os pais foram convidados para abençoar seus filhos: os pais do noivo e as mães, biológica e adotiva, da noiva. Muitos dos convidados, que compartilharam sua história por tantos anos, não conseguiram conter as lágrimas.

Foi lindo sentir que, finalmente, a jovem Pauline compreendeu que ela é abençoada por ter duas mães e que os preconceitos foram enfrentados e vencidos quando ela convidou sua mãe biológica para também ocupar o lugar de madrinha no altar, onde ficam os amigos mais queridos. Deu uma lição de coragem, quando fez a sociedade chorar ao ver os noivos sendo abençoados pela família que tinham, os pais de seu marido e suas duas mães, ambas merecedoras de seu afeto.

Mostrou que os preconceitos que cercam a adoção são, muitas vezes, fomentados pelas próprias famílias adotivas, que insistem em manter em segredo este fato consumado e natural. À medida que expomos nossa história, damos força para que outras famílias adotivas mostrem a mesma coragem que Pauline teve ao levar suas duas mães ao altar no dia de seu casamento.

Neste caso, foi possível e necessário aproximar as duas mães, porém, nem sempre isso acontece. Geralmente, quando uma mãe biológica toma a decisão extremamente sofrida de dar seu filho para adoção, é porque já esgotou todas as possibilidades de mantê-lo junto de si e só agiu assim pelo imenso amor que lhe fez vislumbrar um futuro melhor do que o que ela poderia ter lhe dado.Voltar ao passado, onde faltou franqueza e sinceridade, pode gerar grandes mágoas, sofrimentos e decepções. Meu conselho para esses momentos é muita reflexão, diálogo e até mesmo uma terapia.

O pouquinho de cada um vai ajudar nosso ESTADO pensar como NAÇÃO! Gazeta de Piracicaba -Ivani Fava Neves

Mais ação e menos falação!

Este desabafo tem origem na minha indignação com o palavreado rebuscado e o tempo que nossos ministros do Supremo Tribunal Federal gastam para decidir sobre um “INDULTO”, pois isso custa uma fortuna para o coitado do contribuinte.

Eu estava no saguão da Câmara quando um vereador se aproximou querendo saber quem era a pessoa que me acompanhava. Por ser um cidadão atuante, foi imediatamente convidado para receber o Título de Cidadão Piracicabano. Há uma verdadeira “caça” a futuros indicados a esta honraria, que nunca aceitei, pela convicção que tenho de que nossos edis devem se preocupar com problemas maiores do que a concessão de títulos, moções de aplauso e nomes de rua. Sei que é praxe e que muitas pessoas se sentem honradas com esse reconhecimento, mas que se façam homenagens sem custos para o erário, pois há prioridades.

O irmão de minha amiga teve um AVC hemorrágico e durante 8 horas ficou todo sujo de sangue e excrementos num pronto socorro. Só foi limpo para ser transferido para o hospital. Eu fui vítima de um exame errado que mostrava um câncer de mama invasivo, porque o analista de um renomado laboratório se descuidou na elaboração do laudo e copiou o resultado de outra pobre coitada; pior ainda, foi o médico medalhão ter aceitado o laudo absurdo, apesar dos inúmeros exames anteriores.

Fatos que parecem desligados, mas, se transferidos para um contexto maior, acontecem por causa de nossa omissão. O juiz tem que legislar não para beneficiar alguns, mas para o povo. O vereador tem que descobrir um modo mais útil de gastar o dinheiro do contribuinte. O médico tem que permanecer nas “UBAS” e “UPAS” pelo tempo que foi contratado, exercendo seu ofício com responsabilidade. Henrique Prata, do Hospital do Câncer de Barretos, disse que nosso SUS é o maior sistema de saúde pública do mundo, mas vem sendo sabotado pelos repasses e por outros problemas de governança no sistema.

Não podemos deixar que o Estado atrapalhe a Nação.

Festas e desmandos com o dinheiro público? Temos que ser vigilantes e abrir a boca quando os nossos empregados: políticos, professores, médicos e enfermeiros e tantos outros profissionais que incham a máquina pública, não desempenharem a contento suas funções. Podemos cobrar, porque pagamos a conta!

Algumas coisas já estão sendo feitas!

Se o Palocci não pagar 20 milhões de dólares para a Lava Jato, volta para a prisão!

O Brasil não vai sediar a Conferência do Clima, porque não temos recursos e porque ainda estamos amargando a imensa conta da construção dos estádios fantasmas da Copa do Mundo.

Recebemos o Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos com leite, café, broa, queijo, banana e danoninho.

Banquetes, homenagens e outras extravagâncias, só se os responsáveis ratearem a conta!

Pare com isso gente! - Ivani Fava Neves - presidente da Mucapp

“Em longa entrevista, juiz que chefiará a Justiça citou mais convergências do que discordâncias com o presidente eleito” escreveu a Folha de São Paulo na manchete de 7 de novembro.

 Ouvi o ponderado e sensato esclarecimento de Sérgio Moro sobre as razões que o levaram a aceitar o Ministério da Justiça e fiquei plenamente confiante na sinceridade de suas assertivas, sem sequer prestar atenção nas eventuais divergências que eventualmente possam surgir. Aliás, fiquei exultante quando a “Esperança do Brasil” saiu de Curitiba para ajudar a administrar nossa Nação.

Está na hora de já ir calando a boca e torcer pelo nosso Brasil. Nossa atenção tem que estar voltada para a resolução de imensos problemas, como a Previdência e a dívida fiscal.

Está na hora de pensarmos Brasil e ver o que realmente vai tornar nossa vida melhor.

Precisamos analisar se os comerciantes sentem a real necessidade de um Dia da Consciência Negra; se a maioria dos alunos aceita a pichação nas escolas; se as novelas precisam escancarar realidades no horário nobre da TV. Será que não basta a taxa exorbitante de suicídio entre os jovens, o fato de saber que meninas “ficam” tanto com meninos como com meninas e também que o celular está impedindo a necessária convivência?

Está na hora de pensarmos em convergir e não em divergir, pois fatos como os acima citados estão nos estarrecendo e assombrando diariamente.

Como sempre, digo e repito: está na hora de cada um encontrar o caminho da razoabilidade e dizer não a cada situação inusitada e irracional que se lhe apresentar.

Há sempre um modo de agir para mudar o que não lhe parece razoável, como o do moço que mora em frente ao jardim de um condomínio de classe média alta e que comprou uma lixeira e varre o lixo que os próprios moradores jogam na praça. Somente agora, após um ano, viu com alegria que o pessoal começou a colocar o lixo no local correto.

Pequenas convergências que podem levar a grandes mudanças!

Mucapp 25 anos, carta da Rosângela - Piracicaba, 28 de setembro de 2018

 

Gostaria de compartilhar com vocês a cartinha que recebi de minha sobrinha, Rosângela, no dia do evento:

 

”Hoje é o grande dia! Dia de vitória e de júbilo!Louvado sejam nosso Pai e nossa Mãe do céu que dirige seu caminho! Como lembro 25 anos atrás sua chegada em Lins, contando esse projeto incrível que começava a engatinhar, mas já com duas casas começando!Fiquei maravilhada, orgulhosa e até hoje tem sempre minha torcida e oração!A senhora é gente que faz!A senhora é exemplo pra esse mundo maluco que quer tirar tudo de todos e ver a si próprio!A senhora luta dia a dia pelo próximo não só DOANDO a casa pra que pessoas tenham dignidade, mais sim acompanha o dia a dia delas preocupando com o emprego, com o álcool, com a higiene, educação dos filhos pra que sejam gente e não só mais um, nessa sociedade brasileira que tanto precisa de mudança!Um orgulho para mim!Um orgulho para nossa família!Amo muito a senhora!Que Deus continue abençoando sua família querida!, Obrigada por existir, e, ser exemplo de luta pra mim e pra todos que a conhece!VIVA A MUCAPP!Deus nos deu um solo fértil, um clima especial e um povo amigo!Assim como a MUCAPP é sucesso total, nós também queremos um Brasil novo para nossos filhos e netos!Tia, como seria bom termos mais pessoas como a senhora!”

Tânia, linda estória - Piracicaba, 23 de Setembro de 2018

 

Tânia é uma jovem senhora que trabalha como costureira na loja Renovation (R$ 610,00) e recebe pensão do marido (R$ 510,00). Seu barraco, com um banheiro precário e corroído por cupins, parecia uma casinha de bonecas, tal o capricho com que ela cuidava. Tânia trata seus dois filhos, João Carlos e Caio, com extremo carinho. Eles são ótimos alunos e um deles trabalha no Projeto Ação Jovem da Prefeitura de Piracicaba (R$ 80,00).

A família de Tânia morou no barraco, que ela ocupou por 17 anos com os filhos, durante 37 anos. Seu pai, seus tios e seus dois filhos ergueram a nova casa neste terreno. Num domingo muito quente encontramos seu pai (74 anos) com as pernas inchadas pelo esforço desprendido na construção. Ele descansava no cubículo de madeira que o tio ocupou provisoriamente durante a obra.

Esta construção, além da Cutrale, contou com a ajuda de um doador que quer se manter no anonimato. “Peço a Deus que ilumine seu caminho lhe de saude paz força para continuar ajudando família como a minha. Na verdade vocês são verdadeiros anjos, pessoas que abrem mão dos seus descanço para ajudar outras pessoas. Muito obrigada por vocês existirem.” (Depoimento de Tânia em carta endereçada ao doador anônimo)

Tânia continua contribuindo mensalmente com R$ 100,00, para ajudar na construção de casas para outras famílias necessitadas.

Lucilene

Sept. 23, 2016

​Lucilene mora há 24 anos no local, com três filhas e uma neta. Foi abandonada pelo marido na gravidez da terceira filha e lutou muito para educá-las. Trabalha como cabeleireira (R$ 1.000,00). Duas de suas filhas também estão empregadas.

Aproveitando o mesmo terreno da casa de Lucilene, construímos nos fundos um quarto, cozinha e banheiro, para abrigar sua filha e sua neta. A família contribui mensalmente com R$ 150,00. A mão-de-obra foi da Mucapp. Valor total gasto: R$ 23.383,95.

“Vocês são anjos bons que foram colocados na vida das pessoas que precisam, assim como a Cutrale foi colocada na vida de vocês”

Deus no céu e minha avó na Terra!

Sept. 23,

“A senhora é Dona Ivani?”, perguntou o jovem do Cartório, enquanto examinava os documentos para resolver questões relativas à regularização de um imóvel que pretendíamos comprar para uma família inscrita na Mucapp (Associação Pró-Mutirão da Casa Popular de Piracicaba).

- Você me conhece?

- Muito, conheço de perto. A senhora construiu a casa de minha avó. Fomos dos primeiros beneficiados.

- E quem é ela?

- A Zefinha.

Eu fiquei com os olhos marejados, extremamente emocionada, enquanto minha memória passeava em ritmo acelerado pela história desta família.

Há dezoito anos, quando bati palmas no terreno onde ficava seu barraco de menos de vinte metros quadrados, fui recebida por uma velhinha de sorriso maroto. Perguntei se ela acreditava em Papai Noel. Ela sorriu, com os olhos meio escondidos por seu chapeuzinho, que certamente tinha vindo lá da terra do Mestre Vitalino. Além dela, o barraquinho abrigava seus três filhos e o netinho Júlio, de oito anos.

Depois das apresentações eu disse à Zefinha que a Mucapp poderia mandar o material para a construção de sua casa. Ela continuou sorrindo com doçura e desconfiança. Sua incredulidade só se dissipou à medida que o material chegava e a casa ia sendo construída.

No Cartório, diante do neto, que me orientava com tanta autoridade sobre as providências que deveriam ser tomadas, senti um orgulho imenso de nossa Mucapp, que em outubro comemora vinte anos de vida com um saldo de quase quatrocentas famílias atendidas.

Desta semente que plantamos, eu tive a felicidade de ver o fruto, na pessoa do bem sucedido cartorário de vinte e seis anos, que já é casado, pai de uma menina, e com casa própria. Atualmente está até construindo outra um pouco maior. Depois desta conversa, ele se propôs a contribuir mensalmente com a nossa ONG, para que outras famílias tenham suas moradias também.

O Papa Francisco me comoveu quando, na entrevista que deu ao Fantástico, falou que precisamos dar mais atenção aos jovens e não descartar a experiência dos velhos se quisermos construir uma sociedade com bases sólidas. Júlio, que peregrinou de barraco em barraco durante a sua infância sofrida, cultiva uma admiração profunda pela avó, pois foi graças à sua tenacidade, coragem e exemplo que ele pôde escrever um futuro diferente para sua geração.

Foi uma coincidência maravilhosa encontrar o rapaz. Quando ele disse, ”É Deus no Céu e minha avó na terra”, eu confirmei que o Papa tinha mesmo razão, quando disse que não podemos desprezar a sabedoria dos mais velhos.                                                                                  Ivani Fava Neves - Presidente da Mucapp

Mucapp, o formigueiro da construção

A Mucapp – Associação Pró-Mutirão da Casa Popular de Piracicaba - existe há quase 15 anos e já construiu 304 casas em Piracicaba. Seu objetivo principal é derrubar o barraco e construir no mesmo local que a família mora. Ai está o ineditismo desta ONG que também se preocupa em colocar as casas sempre no nome das mulheres para que seus filhos usufruam e tenham direito a uma moradia decente durante sua vida. 
Como as famílias chegam até a Mucapp? Por indicação de assistentes sociais, de amigos ou parentes já beneficiados, indicação dos sócios pagantes da Mucapp, que muitas vezes não se conformam com a situação precária de moradia de alguns de seus funcionários. 
Atualmente existem 27 casas em construção na periferia da cidade de Piracicaba. Elas têm entre 40 e 60m2. 
Os recursos para a construção vêem de sócios contribuintes e das próprias famílias beneficiadas que variam entre R$ 5 a R$ 400, dando um total mensal de R$ 12 mil, o que possibilita a construção de quase duas casas/mês. 
São construídas no sistema de auto-construção ou mutirão e levam até um ano para serem terminadas. Uma condição que se exige do próximo beneficiado é que ele trabalhe voluntariamente, como pedreiro, para a Mucapp servindo como um pré- requisito para que receba o material para a construção de sua própria casa. Afinal, essa mão-de-obra tem que ser aproveitada, pois é no meio dessas famílias que vivem os melhores pedreiros.
O processo de construção possibilita um contato estreito com as famílias, com mudança em alguns de seus hábitos, como por exemplo, a importância de manter uma casa limpa, plantar uma árvore e, principalmente, pagar em dia suas prestações da Mucapp para que outras famílias deixem de morar em barracos.
Há uma gama enorme de parceiros e pessoas envolvidas nessa ONG, cada qual realizando uma pequena tarefa concretizando a existência dessas 304 casas construídas até hoje. Os voluntários ficam responsáveis pelas fiscalizações das obras, pela contabilidade, pelos contratos, manutenção do quadro de associados, compra de materiais, etc, cada um assumindo os custos das atividades que ele desenvolve. Em resumo é uma ONG enxuta. Tudo é concentrado na casa da presidente e idealizadora desse lindo projeto, Ivani Fava Neves, assistente social que acredita “que cada pessoa deve devolver à comunidade os talentos e benesses recebidos de Deus. Quanto mais privilégio, mais responsabilidade”.
Ela concilia todas essas atividades, num espaço de 12m2, em sua própria casa, se preocupando em usar as contribuições recebidas exclusivamente na compra de material de construção. 
É um exemplo de amor ao próximo, de responsabilidade social AQUI mesmo na nossa cidade, que já tem reconhecimento até internacional com um prêmio outorgado pela ONU, uma menção honrosa da Associação Brasileira de COAHBs ABC, e da Câmara de Vereadores de Piracicaba. 
Um bando de formiguinhas fazendo um trabalho de elefante.

Legenda: Objetivo: derrubar o barraco....e construir a casa!

Estudantes americanos pintam 02 casas

Um grupo de 40 voluntários realizou a pintura das paredes e janelas de mais duas casas construídas pela ONG (Organização Não-Governamental) Mucapp (Associação Pró-Mutirão da Casa Popular de Piracicaba), localizada no bairro Minas Nova e Jardim Monte Líbano. De acordo com o presidente da entidade, Ivani Fava Neves, o resultado é obtido por meio da parceria entre a entidade, Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), a Ohia State University e uma imobiliária do município. “Esse trabalho é feito desde 2000, mas o trabalho já tem 15 anos. No total, 310 casa já foram construídas, avaliadas em R$10 mil cada”, informou Ivani.

A prioridade da ONG é retirar as famílias dos barracos e proporcionar uma moradia, com aproximadamente 40 metros quadrados.
De acordo com Ivani, atualmente 400 pessoas atuam como sócias contribuintes da Mucapp, possibilitando a construção de duas casas por mês. “Mesmo após obter a sua casa, a contribuição continua para que outras famílias sejam beneficiadas.”

Depois de passar 5 anos trabalhando nos mutirões de diversas casas, o pedreiro Antonio Pinheiro, 55, teve o sonho realizado. Com oito filhos e sem aposentadoria, Pinheiro aguardava o momento com ansiedade. “Estou super feliz. Antes a gente morava em trÊs cômodos bem pequenos e era tudo muito apertado.”

A estudante do 3º ano de agronomia da Esalq, Natália de Campos Trombeta, 20, resltou que o trabalho é uma oportunidade de aprendizado. “É a primeira vez que participo e pretendo voltar.”

A coordenadora administrativa Patrícia Coimbra, 39, destacou que o trabalho que o trabalho voluntário que será realizado pela imobiliária inclui a disponibilidade de alguns profissionais como pintor, eletricista e pedreiro. Um grupo de 19 alunos da Ohio State University também participou da ação. Os alunos estão no Brasil desde o último dia 6 e participam do programa de intercâmbio entre a universidade norte-americana e a Esalq.

ASSOCIAÇÃO PRÓ-MUTIRÃO DA CASA POPULAR DE PIRACICABA

Piracicaba - SP - BRASIL

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